Fonte da notícia. Carapeços online.
Marcelino Rodrigues. Entrei para a Junta com 32 anos estávamos no ano de 1964, saí em 1972, fiz algumas obras. algumas delas ainda se podem ver: a calceta que vai dos Perelhais ao Gaspar foi toda levantada, pois ninguém lá podia passar e foi metida a que ainda hoje se pode ver e fiz todos os fontanários, eram para aí 7 ou 8 ao todo, alguns ainda existem, fiz os pontelhões à beira da Zenha do Crespo e da Areeira. Por fim, alarguei o caminho que vai do cemitério até à Areeira e foi a partir daí que passou a ser possível ir lá um camião: durante dois meses um homem trabalhou arduamente e foi também utilizado todos os dias o meu tractor. este trabalho foi todo gratuito. Os financiamentos naquele tempo conseguiam-se com muito custo, mas com uns padrinhos ainda foi possível ir buscar algum à câmara, mas não chegava a nada. Houve uma obra que tive de pôr do meu bolso 2 contos e o oitocentos, pois o dinheiro não chegou. Nós presidentes da Junta não ganhávamos nada, eu cheguei a ir ao gabinete do Presidente da câmara na altura Sr. Figueiredo, e disse-lhe que não ganhava o dinheiro que ele ganhava para ele tratar os presidentes da junta como ele nos tratava. Foi preciso insistir muito com ele para ele me desse dinheiro para calcetar a estrada que liga o Beiriz à igreja, pois estava para breve a inauguração da Casa do Povo e a forma como estava o caminho, nem um carro passava. Fiz por isso dois mandatos de 4 anos: entrei em 1964 e saí em 1972 e lembra-me bem que nem houve eleições, fui eu que nomeei a nova junta, porque eu estava farto de gastar do meu dinheiro.
Augusto Coutada Neco. Entrei para a Junta em 1976 , fiz um mandato de 3 anos, saí em 1979, O 25 de Abril foi em 1974 , fiz diversas obras, mas nenhuma de grande envergadura. Foi no meu mandato, embora não seja uma obra, que se colocou o marco da freguesia em Carapecinhos, que não existia e que ficou para sempre.
Fiz o caminho por baixo da quinta do monte e fiz duas pontelhas. Lembro que a Câmara apenas nos deu 80 contos e com esse dinheiro não podíamos fazer muito mais.
António Vieira Arantes. Quando Marcelino diz que nomeou a minha Junta, isso foi antes do 25 de Abril, mas eu não era o presidente apenas fazia o papel dele. O presidente na altura era o Zé Alves, e se bem me lembra, não fizemos muitas obras. Vou então falar nas minhas como Presidente .
Nessa altura os mandatos eram apenas de três anos e eu estive de 1980 a 1986, A partir daqui, penso que o Joaquim já fez um mandato de 4 anos.
Todas as obras que se fazem são importantes, a Escola era uma das grandes lutas que a
freguesia tinha apostado. Houve diversas Juntas que apostaram, mas não conseguiram, e lembro-me bem que nessa altura, a propaganda que havia, era não deixar esquecer a escola.
Foi sobretudo nos meus mandatos, com o Sr. Casanova, a Presidente da Câmara, e o Vereador Coutada que a freguesia passou a usufruir das indispensáveis vias de comunicação, com caminhos para carro de bois, era penoso quando necessitávamos de uma ambulância ,morando como sempre morei no lugar de Soutelo , necessitei de a chamar por três vezes, para levar a minha esposa ao hospital, os bombeiros tiveram, que a levar em maca pelos carreiros, ou para a Nazaré , Beiriz, ou Apeadeiro, consoante o critério dos mesmos. Por isso ,eu não me quero gabar pelos quilómetros de estradas que alarguei e pavimentei, mas sim, pelas condições que pude dar às pessoas, de poderem ter a possibilidade, de fazer chegar uma ambulância à porta.
Foi no meu primeiro mandato que alarguei e pavimentei a estrada Nazaré-Soutêlo, seguindo-se Areosa – Salvador, e Areosa - Lijó. Seguiu-se a estrada Coval- Carvalho Santo, com passagem pela Areeira.
Voltando à escola primária, também era uma obra em que a freguesia carecia na altura. A Câmara comunicou-nos que deveríamos escolher três ou quatro locais bem situados, lembro então, que, para além do local onde viria a ser construída, demos o campo na altura do “Picotinhas” hoje de António Miranda, do lado sul da escola actual, um terreno por baixo da quinta da Pia, que era pertencente à família Poças na altura, e ainda um terreno da quinta da Pia que está localizado na zona do Olival, este terreno confronta com o caminho actual que liga Quinta da Madureira à Quinta da Coutada.
A situação da estrada que liga a Mámoa ao Apeadeiro que ainda hoje representa um problema para quem sai e entra na estrada Nacional, já vinha de trás. Eu ainda tentei alargar no sítio da adega do Sr. Coutinho, mas naquele tempo talvez desconfiadas que nós votássemos abaixo e não levantássemos , rematamos mesmo assim a obra, foi quando a seguir aos meu mandatos. Com o Joaquim a presidente, tentou negociar com a Sapateira e chegaram acordo. Mas com a mudança de política, tudo ficou tudo na mesma.
Joaquim de Sousa Rodrigues.O meu mandato foi de 1986 a 1989.
Fui do tempo em que cortar um palmo de terreno ou cortar um pé de videira, era como quem cortasse um braço ou uma perna ao proprietário do terreno onde era necessário o alargamento.
Foi no meu mandato que se criou o melhor acesso ao coração da freguesia, tratando-se naturalmente da igreja, Casa do Povo, Escola etc. Foi a estrada que liga hoje Beiriz - Carvalho Santo. Fez a ligação do Soutelo - Apeadeiro, fez também a pavimentação da estrada que liga Areeira - S.º António do Penido, fizemos pequenas coisas tais como seja uma parte do caminho que liga o lugar da quinta à igreja, e do Coval à Picarreira o alargamento da estrada da estrada que faz norte com a quinta da Coutada, esse proprietário, era um tipo porreiro, deu-nos carta branca para alargar o que quisesse-mos, foi á argentina depois de nos autorizar, pusemos a caminho com 5 metros de largura.
Lembro que tínhamos uma boa relação com a Câmara, que já vinha do tempo do meu antecessor, havia uma boa cordialidade espectacular, usamos o lema, quem não chora não mama, pois não era com vinagre que se caçavam abelhas, e sempre ás nossas custas lá fazia-mos de vez em quando umas merendas.
Uma das coisas que eu fiz que mais orgulho, foi retirar aquelas duas casas que existiam junto á igreja pertencentes na altura à tia Deolinda do padre, das quais a do David já se encontrava em fase de construção adiantada , foi embargada e foi demolida parte dela para recuar , mas tudo feito num acordo entre o proprietário a Câmara com, a Câmara teve que dar uma indemnização, pois a casa já estava no 2º andar, caso não fosse feito aquele trabalho estaríamos hoje com o acesso estragado.
A saída da estrada que vem da Mámoa ao Apeadeiro , chegou a estar com o projecto assinado e tudo acordado com a proprietária Sapateira, para sair do lado nascente da casa, mas vieram as eleições, eu perdi, e foi tudo por água abaixo , hoje passados todos estes anos está tudo na mesma ,poderia estar ali uma grande obra, e não vejo ,quando possa vir ser resolvido.
Para conhecer todos os presidentes da junta de freguesia de Carapeços.visite esta página. http://www.carapecos.maisbarcelos.pt/?vpath=/inicio/PresidentesdeJunta/
Estão já em fase de elaboração, as declarações dos restantes Presidentes, abaixo mensionados.

"Bartolomeu Barbosa" "Assis Tomé"
Carapeços 25 de julho de 2007,
José P. Silva.,